Estava distraída, como sempre. Sempre tentava prestar atenção no professor de matemática, mas era uma tortura. Talvez seu cérebro demorasse mais para processar as informações que os dos demais, pensava ela. Seu olhar foi caminhando pela sala, enquanto seus colegas procuravam o x, ela procurava algo mais interessante para se concentrar.
Inesperadamente, ela encontrou. Ele a olhava, e tinha uma expressão confusa no rosto, porém na mesma velocidade em que os olhares se cruzaram, eles se desviaram. Quando ele percebeu que tinha sido flagrado tentou disfarçar olhando para baixo. Mas ela continuou o encarando, afinal não era a primeira vez que isso acontecia. E isso não era nada bom.
Porém, diferentemente das outras vezes, ele voltou a encará-la, e sorriu. Era um sorriso torto, tímido, que ele havia reservado para ela há muito tempo.
Esse sorriso lhe causou sensações que ela simplesmente não sabia como descrever, era algo que lhe aqueceu o peito e lhe trouxe paz. Ela sentiu uma necessidade louca de correr e abraçá-lo, sentiu uma necessidade de posse, como se aquele sorriso só pudesse ser direcionado a ela, e a mais ninguém.
Ela não sabia quanto tempo havia passado, mais podia apostar que ainda estava corada. Isso poderia ter sido coisa da sua cabeça, mas ela sentiu que no momento que ele sorriu algo havia despertado em seu ser. Algo caloroso e intenso. Algo que só surgia quando ela o olhava. Algo que somente ele lhe causava.

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