É inverno, tempo de ficar embaixo do edredom assistindo filme e comendo brigadeiro. Faria sentido fazer tudo isso se você estivesse aqui. O barulho do vento contra a janela ecoa dentro do meu coração vazio. Ele insiste em querer entrar para acabar com o pouco do teu calor que ficou impregnado em mim.
Olho para o lado e vejo a nossa foto, você acanhado e eu com um sorriso bobo na cara. Arremesso o porta retrato num gesto de extrema irritação. Tudo o que eu olho, que eu toco, que eu percebo, me mostra o quanto eu sinto sua falta, e isso é frustrante. O mais intrigante é o fato de que eu menti pra mim mesma pra ser feliz. E dói, saber disso, perceber que desta vez eu não estou errada. A minha mentira me fazia feliz, mas pra sempre seria uma mentira. A minha realidade embora seja triste e solitária não vai me dar falsas esperanças.
Decidida, abro a janela, e me debruço sobre ela, sentindo o vento frio bater em minha face e ir embora em direção a porta do quarto, levando consigo o teu calor, o ultimo vestígio da minha mentira feliz.
"E é só você que tem a cura
pro meu vício de insistir
nessas saudades de tudo
que ainda não vi. "
(Índios - Legião Urbana)

4 comentários:
sempre escrevendo bem hein...
texto maravilhoso, você tem o Dom de escrever Nanny *-*
sempre escrevendo bem hein... +1 *-*
Você é muito boa com as palavras, achei seu blog sem querer e adorei. Parabéns, querida!
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