Ele a observou se afastar, uma mão levando a mala de viagem e a outra a passagem que a levaria para longe. Provavelmente nunca mais a veria, ela estava correndo atrás dos seus objetivos enquanto ele continuava no mesmo lugar, somente observando, sem tomar atitude alguma.
E agora, ele via seu único amor indo embora, e ele não poderia segui-la somente para observar, por que ele sabia que não conseguiria se declarar, esse amor que ele guardou durante tantos anos. A menina que cresceu junto dele, a menina que sempre o considerou o seu melhor amigo, o vizinho que sempre esteve lá para acompanhá-la ao colégio, que sempre a ouviu calmamente e no final dizia que tudo estaria bem, e nem mesmo ele sabia o quanto aquilo a tranqüilizava.
Ele sabia, sabia que agora era a hora de dizer que a amava. Saiu correndo de trás do pilar onde se escondia, e desviando de todos os seguranças do aeroporto, chegou perto do avião onde ela iria embarcar. Viu ela subindo a pequena escada para entrar no avião, e gritou suficientemente alto para que ela pudesse parar e olhar para trás. “Eu te amo e não sei o que será de mim sem você, por favor...”
Ela se virou e viu o amigo que tantas vezes a ajudara, que sempre esteve ao seu lado. No fundo, ela sabia que o amigo gostava dela, o modo como ele a olhava, e o sorriso bobo que se formava no rosto do garoto quando ela se aproximava.
Diante daquelas palavras ela percebeu o quanto ele era importante pra ela, o quanto ele a fazia feliz, percebeu o quanto o amava. Era muito mais do que um amor de amigo, ele era o dono do seu coração.
A porta do avião começou a se fechar, ela queria sair, correr para os braços do seu amado, mas viu ele desaparecendo aos poucos. “É tarde demais”, ela sussurrou, e a porta se fechou por completo.
Ele caiu de joelhos, já não conseguindo controlar as lágrimas. Conseguiu decifrar o que ela tinha dito... é tarde demais.
E agora lá estava ele, sem rumo, sem vida. Teria que conviver com a duvida de saber se a garota que sempre amou, o amava também. Teria que acordar todo o dia e não a vê-la saindo de casa e o cumprimentando com um beijo na bochecha. Teria que reconhecer que era um fraco, um covarde, de não ter admitido seus sentimentos antes.
Uma idéia apareceu em sua mente, era isso o que tinha que mudar, não poderia mais continuar a ser um covarde que não corre atrás do que deseja. E o que ele mais desejava era tê-la somente para si. E dessa vez, não iria perder mais tempo.
Sem pestanejar, ele comprou uma passagem, ao mesmo destino que o dela. Partiu no próximo vôo, sem bagagem nem nada. Mesmo que ela não o queira, mesmo que ela não o ame, ele não estaria mais sendo um covarde, pois ele estava fazendo o mesmo que ela fez, correndo atrás do seu objetivo, que no caso era, e sempre seria, ter ela em seus braços.E não desistiria tão facilmente, por que ela valia a pena, todo e qualquer esforço não seria em vão, por que nunca é tarde demais para amar.

3 comentários:
nossa, muito lindo esse :D
maravilhoso, perfeito.. emocionante *-*
Totalmente emocionante Nanny, amei *.*
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